(Este blog é totalmente dedicado a Laura e Lara, para quem todas as mensagens que aqui posto, me dirijo. Sem dizer adeus.)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Tu crias um tempo dividido no Tempo, e na tua desorganização tens a fantasia da certeza de possuir o que não tens mas como não sabes pensas e assumes que tudo tomas como certo. Não existem números que te ajudem a dividir a matemática da vida, ela é antes de nós sermos, tu e eu, já é formada, constituída por uma tempo que tudo cerca.
O Tempo não existe, o Tempo é o agora. O Tempo de ontem, o Tempo de amanhã é o mesmo que o presente. Eu sou o todo que se formou e o que há-de vir, não existo em separado como em folhas de papel rasgado, arrancado viciosamente à linha que me cozeu. Sou o puzzle, o conjunto inacabado que nem depois da morte se agrupa e tem final. Não sou segundo, hora ou minuto, sou momento, emoção e movimento, assente e presente no sentido ascendente. O Tempo é o agora no veludo carmim da carne que nos cobre mas mais fundo ainda, na pele que se vestiu e veste, na que há-de vir a seguir a esta. Todo o Tempo é um só.

domingo, 19 de maio de 2013

Serei  louca
Porque dizem que o que vi não é o que vi
Mas ou vimos o mesmo ou um de nós mente
Eu não estou louca
Que Mundo é este desde mundo
Que Reino
Que Praias são estas deste mar
Quem sou e onde vou
Não sei e tu o saberás

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"Da ideia à poesia..."

Mas, não é...não é o certo e o errado, o que vejo do outro lado da ponte, o que tens e permites que assim é, pois se não fosse assim não seria. O que é nem sempre é como vês, como se apresenta, como desliza na tua fronte, debaixo dos teus olhos míopes das luz da manhã ou do entardecer. Não, não é, nem sempre é o quente da carne, o vento que corta no pescoço nu e presente de ti, completo em ti, que espera por ti, que te solta, te desamarra em aspirais ascendentes, até não saberes mais o que é...Não, não é...nem sempre é...
Mas, não é...sempre assim não é, se fosse sempre não entenderia, nos socalcos da estrada, nos abismos dos dias, nos intervalos dos tempos, na lonjura dos espaços, na imensidão dos mares que nos cruzam e separam, não saberia sentir, não entenderia o sentir que nessas horas te trazem mais perto. O pensamento e a arte da carne formam e fecundam num só, o que se fez da ideia à poesia...

sábado, 4 de maio de 2013

"Estou a ficar velha"

Quando era pequena para poder alcançar o meu pai tinha de correr, porque embora ele fosse pequeno em estatura parecia que tinha uma pernas de corredor e por muito que saíssemos mais cedo para a rua e eu perguntasse pelo pai, o pai não vem? A minha mãe sempre respondia - não te preocupes, ele consegue alcançar-nos, daí a pouco ele está aqui. E eu olhava para a curva da estrada e não o via, e voltava a olhar e já o via. 
Agora sou eu que tenho de minguar o passo para esperar por ele, olhar para trás à espera, já não posso ir mais cedo...Estou a ficar velha...

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Imaginação, perfeita ilusão de mim própria.
Peso grande para eu carregar
Que não posso perder, que não posso ganhar
Que não consigo matar
Que não morre
Me persegue dia e noite e me leva à exaustão
E não existe saída, não posso fugir
Fugir para onde, se onde é aqui que estou
Certa foi a hora em que nasci para isto
Ninguém me disse o que fazer
Ninguém sabe o que é ter
Nem eu nem a hora em que existo

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Era uma vez uma mulher, num tempo há muito longe de nós que se casou com um rico nobre. O Imperador do seu país. Ela era jovem e bonita mas não o amava. Casou para obedecer às leis e à família.  O seu marido era conhecido por ser duro e cruel para com o seu povo mas para com a sua mulher era dócil e gentil. Enquanto destruía aldeias, matava mulheres e crianças construía pequenos palacetes para ela. A mulher tentou mostrar e fazer ver a seu marido que o povo era como ela, que merecia a mesma atenção mas a cada investida dela o seu marido fazia ainda pior. E pior passou a ser a cada dia que avançava na sua velhice. 
Um dia a mulher vendo que a natureza do seu marido jamais mudaria e que a humanidade sofria nas suas mãos, fez com que ele bebesse uma poção que preparou e que o fez adormecer, calmo e sereno. Todos os dias ela lhe dava a beber o mesmo cálice estando ele ainda meio ensonado. Ali ele passou a viver a sua existência,  na sua cama a dormir sem fazer mal  algum aos outros ou a si. 
A mulher, essa, começou a governar por vez do seu marido, como se fossem as ordens dele, porque ninguém sabia que dormia, só ela. O povo teve paz, vivia em paz e ela escrevia num livro para as gerações futuras, pelo seu punho, com a caligrafia do seu marido, como se fosse ele a escrever, ensinamentos do que fazia para que o futuro aprendesse. 
Assim um duro governante se tornou o melhor de todos, pela realidade fingida de uma mulher que não conseguia mudar a natureza de um homem que não queria mudar. 
Quantas vezes protegemos alguém que nos faz mal?



sábado, 27 de abril de 2013

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uma guerra começa ou acaba sempre que um inocente morre!
Sabes do que tenho saudades? Não? Eu digo-te do quê...Tenho saudades de mim. Mas eu perdi-me? Não!! Acho...não...tenho a certeza...nunca me encontrei...Tenho saudades do futuro, daquele sitio para onde vou...mais do que isso, tenho saudades de mim nesse lugar!!!
Lembro-me quando era pequena de me olharem, de me verem, de me comentarem, como se não estivesse ali, mas eu estava e fingia que não ouvia, porque na realidade as únicas pessoas que ali estavam eram quem olhava, eu...eu estava em outro lugar, num lugar bem distante...no futuro...eu estava no futuro...
Agora esse futuro é diferente, por vezes o encontro e por lá fico um grande tempo, e sou feliz lá, mas outras vezes a realidade me arrasta e venho a reboque dos que me puxam para trás...Se fosse criança poderia fingir que não ouço, seria apenas uma criança que não sabe nada de nada, uma como as outras, nada mais do que isso, mas já estou demasiado longe desse espaço de tempo...ou talvez por isso mesmo ainda não tenha de lá saído...seja como for não posso fingir...sou um adulto, os adultos não fingem...Que redonda mentira, não é?...Pois, eu sei!!!...
Por isso estou aqui e lá mas mais lá do que aqui...
Vemos-nos por lá se me conseguires encontrar...

terça-feira, 9 de abril de 2013

"De que cor será sentir?"...De que cor será sentir quando as palavras não conseguem dizer o que queremos, quando as palavras não passam de palavras já sem sentido ao queremos dizer, porque uma palavra só diz o que quero se a sentir e o outro a entender como é...Mas e se eu já não souber dizer o que sinto? Se as palavras já não chegarem para me explicarem e ficarem pelo nado-morto da ideia?....
"De que cor será sentir?"...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Estou feliz, o sol brilha e o barco onde navego nas calmas aguas do mar agita-se suavemente empurrado por uma leve brisa que sacode a o meu cabelo mas ainda assim deixando passar o calor, quente que passa através das nuvens sem lhes tocar para vir aquecer o meu corpo branco e sedento de cor. As gaivotas voam no céu azul, a areia é branca com leves traços de pérola e terra, ao longe as crianças correm onde as ondas lhe salpicam as pernas de água salgada e assim a vida se move comigo a olhar o horizonte levantando o braço ao alto para que a luz não me cegue e mas me deixe ver em tudo e tudo em plena harmonia com o que me toca...
E no entanto eu deixo-me cair, num cansaço que não sei explicar, porque não existe nada em concreto, nada real, mas assim me sinto, na melancolia dos dias, dos saberes e dizeres que torna tudo igual e sem sabor. Sou um naufrago do meu próprio barco que levantei hoje de madrugada para trazer ao mar, que desejava conhecer e agora me esmorece.  
Uma onda do mar é empurrada pelo vento e impulsionada pela agua, recua e sobe alto, agarrando e puxando toda a agua que encontra pelo seu caminho, na viagem que percorre até ao limite do mar, à rocha, à areia, aos pés de quem encontra, ali se permitir a morrer e recua vazia para dentro outra vez. 
A minha onda, a onda onde viajo não é essa, a minha onda é a curva da onda...a curva da onda...

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Às vezes as coisas são tão simples como respirar. Simples assim. Sem pensar, só agir. Agir no que já foi pensado e estruturado, automatizado, sem erro e agir. Apenas respirar. Sem esforço, sem te sentires a puxar o ar da rua, frio de uma noite de orvalho, quente e seco que um Verão que te queima os pulmões, sem esticares o peito, sem um movimento, sem o sentires, sem agitares o ar de fora com a tua respiração, sem suspiros, sem bocejos, sem nada, sem respirar no acto pensado. Só respirar. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

"Onde ela estará?!!..."

Acabei o trabalho, fiz as limpezas, tudo estava certo, no seu lugar. E então vi-a entrar, por onde não sei mas voava cá para dentro, para o lugar onde eu estava. Era linda, simplesmente linda, de cores brilhantes . Selvagem como era estranhei que ali estivesse. Talvez encontrasse o caminho de volta para o ar da rua, que poderia eu fazer, ela era uma borboleta e eu não a conseguiria apanhar, mesmo que quisesse. 
Então fui, fui ao que era suposto fazer e deixei-a, deixei-a ali, no caminho dela que se cruzou com o meu e fui ao meu. 
Coloquei os olhos ao chão e lá estava ela outra vez, agora presa, por trás das grelhas.
Está parada e ainda bate as asas mas não voa. Como é que ela ali foi parar! Como foi que se ali conseguiu esconder para agora não conseguir sair. Agora não posso soltá-la, primeiro tenho outras coisas a fazer depois eu vou e a liberto. 
Então o que estou a fazer, faz o que não estava à espera e liberta um toxico mortal sobre a borboleta e eu continuo a pensar, é só deixar encher e depois vou, depois vou, só mais um pouco....Ela agora está deitada, as asas estão coladas como uma e consigo ver as respiração pesada e cada vez mais espaçada. Está a morrer. 
Agora a liberto, agora me lembro de a libertar, agora que está a morrer. Levanto a grelha e entalo o braço ao tentar agarra-la com cuidado para não a partir. Partir o quê...Ela está a morrer... Levo-a à rua e pouso-a em cima de uma banca para que o ar a tente reanimar, mas parece-me tarde embora as suas asas se agitem um pouco. Não posso ficar e vê-la, já alguém me chama e tenho de ir. Olho outra vez para ela e não sei se é o vento que a abana que é ela que está a lutar pelo ar que lhe sopra aos pequenos pulmões. Vou embora, faço o meu trabalho, cumpro o meu dever e agora que saio já não a vejo, não sei se voou, não sei se morreu, não sei se o vento a levou. Estava demasiado ocupada para me ocupar com ela e agora ela é todo o meu pensamento. Onde ela estará?!!...

terça-feira, 2 de abril de 2013

"A ela, só a ela e não eu..."

Uma vez, devia ter uns seis anos, fui com a minha mãe visitar uma rapariga já com quinze, vinte anos, que estava doente e internada num hospital. Era bonita, de cabelos negros e inteligente. Simpática, foi nisso que reparei enquanto a minha mãe e a mãe dela conversavam com ela. Ela quase não ouvia, olhava para a rua, para o sol que batia na janela, para as pessoas que passavam na rua e respondia em monólogos ou então assentia com a cabeça para não ter de se distrair com o som da sua própria voz. Ia quando desviava o olhar desenhando uns papelinhos que depois coloria. Eu pedi para os ver e fiquei maravilhada, era tudo perfeito, não era um desenho torto e estranho como os meus que saiam dos limites, eram perfeitos. Eu olhei para ela e sorri e disse - tu consegues fazer isto... Mas ela olhou para mim, colocou os desenhos para o lado irritada e disse que estava farta de estar ali, queira se ir embora... - Deixem-me sair...
Ela transformou-se na minha frente, o que ela era já não era e mesmo assim ainda não a via, porque eu não compreendia como alguém podia estar zangado quando conseguia fazer o que ela fazia, ela era perfeita e eu queria fazer o que ela fazia, como ela fazia....Mas ela era mais do que um desenho era o que estava lá fora, era a tempestade dentro dela e eu apenas via as linhas coloridas e ela queria que a visse a ela, queria que eu gostasse dela por inteiro e não apenas o bonito do que via. 
Se eu visse o feio dela, viria o feio de mim, e se gostasse do feio dela talvez também  gostasse do feio em mim e viria que não preciso ser outro mas apenas eu.
Não me lembro do rosto dela, não me lembro do nome dela mas lembro-me dela como ela queria que eu a lembrasse. A ela, só a ela e não eu...

sexta-feira, 22 de março de 2013

"Quando olho para ti"

O que sei quando olho para ti é que gostava que estivesses longe. Que não estivesses aqui mas do outro lado, do lado onde não me visses. Porque o que me incomoda não é o que dizes mas o que deixas por dizer e que te sei  ler sem dizeres uma palavra, no corpo que se move debaixo da tua roupa, no gesto surdo em que te mexes, no olhar cego em que me dizes olhar, no que me falas vou embora e te inclinas para a frente à espera que te chame. Sabes que não te quero aqui e por isso insistes em voltar. O que invejas em mim para me imitar só tu o vês, não conheço essa para quem olhas, vês alguém que não vejo e queres ser esse que não sei quem é. Preferia que te fosses embora, cada vez que olhas para mim, sinto o que sentes por mim, e estamos tão afastados nestes dez centímetros em que nos falamos que parece que nunca nos conhecemos. Ou conhecemos? Tu conheces alguém a quem fizeste adversário sem aviso, para na aniquilação dos dias se transformar em ti, alguém que achas que sou, mas tu és tu não eu. Eu conheço, eu conheço a ti, ou o que queria que fosses, o que achava que eras, no que te inclinavas para mim, no que eu pensava ou sonhava que se abria para mim. Não era, não és, e preferia que te fosses embora, não porque me incomoda o que dizes mas o que não dizes, porque quando me olhas me doí que me olhes, que me odeias ao ponto de teres de fingir que me amas. E não sei se foste tu que te transformas-te, se fui eu que te criei!!...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Perdi-me nos fios do Tempo
Em que as Moiras me fiavam o destino
Por ter cortado as cordas
Que me conduziam nas mesmas voltas
Acordei na hora do orvalho
Na primeira hora do dia
Uma pétala de rosa me trouxe
Um beijo em pensamento triste
Se te dissesse sim saberias que te disse não
Se te dissesse sim seria uma mentira
Te digo agora em vez de um sim um não
Para que a hora do sim não esteja perdida

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Comecei a falar tarde, bem, mas tarde. Não estava zangada com as palavras, compreendia-as e assentia-as em mim, mas não lhes respondia por sons. Respondia no grito do silêncio.
Os meus pais achavam-me graça e o meu pai dizia - Titi vai ali buscar-me os chinelos! E eu ia. - Titi, vai buscar o café do pai! E eu ia. Sem dizer palavra, e ia. 
Porquê Titi, de onde vem o Titi...Não é o meu nome mas eu ia. Ia e achavam graça! Eu não falar mas compreender e ir. 
Ainda sou uma criança calada. Calada. Muitas vezes calada. A calada que vai. Que não fala. E eu tenho tanta coisa para falar. Explicar em movimentos de sons ritmados o que digo quando estou calada. 
Porque eu falo. Oh se falo, tanto que por vezes já nem me posso ouvir e tenho de me calar. Apenas falo cá dentro, em registos inadiáveis. Porque é que não falo lá fora???..... 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

De manhã ao frio, quando se sai de casa, a pele gela no rosto, como se uma  mão fria nos tocasse. Abro a boca e o calor do corpo sai em vapor quente mas por ter a boca aberta os dentes também esfriam e ao caminhar roçam na parte interior do lábio inferior. A pele aí é diferente, mais macia, talvez pelo constante contacto com a saliva. Roça, emudece, esfria e por entre os dentes o vapor quente surge. Roça e esfria e sem pensar a língua surge entre o lábio e o dente, quente e frio, mole e duro, seco da pele de fora, molhado da pele de dentro. Caminhas e a oscilação de tudo faz esquecer o frio na língua que se agita....

sábado, 9 de fevereiro de 2013

"As árvores também falam"

Disse para a criança a meu lado.
-Anda comigo. Vamos ajudar uma amiga que está doente.
-Uma amiga? Que amiga?
-Uma amiga dos dois e de toda a gente, embora nem toda a gente seja amiga dela.
-Como é que ela é?
-É grande mas já foi pequenina assim como tu.
-Assim como eu?
-Sim, assim como tu.
-E onde é que ela está?
-Está ali na praça, ao pé do banco onde nos costumamos sentar.
-O que é que ela tem?
-Está doente.
-Mas o que é que ela tem?
-Um caroço nasceu-lhe no tronco que a faz ficar triste e murcha. Nada a anima, temos de ir ajudá-la.
-Sim, eu quero ajudar.
-Então vamos lá, ela está à nossa espera.
-Sim.
-Olha, olha ali ela, no meio da praça.
-Onde? Não vejo nada!!!
-Ali! Mesmo ao pé do banco de jardim, no meio da praça.
-Mas eu só vejo uma árvore grande lá!!!
-Bem...!! É essa a nossa amiga!
-Amiga?
-Sim, ela é nossa amiga.
-E como sabes que está doente?
-Ela disse-me.
-Mas as árvores não falam!!!
-Falam sim, nós é que nem sempre a ouvimos. Gostamos mais de ouvir outras coisas.
-Então e como vamos ajudá-la?
-Fácil! É só preciso tirar este fungo que se agarrou à arvore e depois ela fica bem.
-Oh!! Mas ele é bonito e a arvore já é velha. Não o podemos deixar!
-Nem tudo o que é bonito é bom. Se o deixarmos ficar ele a matará e ela já não poderá mais ser tua amiga.
-Porque é que ela é minha amiga?
-Porque ela dá-te sombra nos dias de calor, oxigénio para respirares...os passarinhos que tu gostas de ouvir cantar fazem ninhos nos braços dela....
-Oh!
-Ela é nossa amiga!
-Se eu a abraçar achas que ela me ouve a dizer obrigado?
-Claro que sim. Vamos abraçá-la os dois.
-E ficamos os três abraçados!!...A ouvir-nos conversar!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"A alma da gente"

A alma da gente que a gente se esquece que tem. A alma da gente que de sorte existe na noite escura resiste e não nos deixa esquecer. Esquecer a noite, esquecer o dia, esquecer sabe-se lá mais o quê que a alma da gente tem. A alma da gente. Sempre a alma da gente que a gente acha que conhece, que acha que apalpa, que acha que está lá. A alma da gente que a gente não conhece e que se por alguma triste sorte a tivéssemos de procurar não saberíamos se era a nossa se a do vizinho. A alma da gente.
Mas o que é a alma da gente se te perguntarem, que lhes dirás que és! Procuras uma lista de adjectivos e significados, daqueles que dizem tudo e ninguém intende e despejas no outro esperando que não te pergunte o porquê e o quê. Porque o que lhe dirias se fosse a verdade, que se quisesses estar em longas delongas lhe dirias que não sabes o que és, que alma é essa que dizes que tens, a alma que a gente tem. 
Toda a gente tem dizem eles, eles que nunca a viram e dizem que tem porque lhes disseram que têm e se calhar até temos mas tu não sabes onde está, como está e como é, o que tu tocas é só o véu que a cobre. E não lhes podes contar sobre o véu, porque esse não é, não existe, o que é está por baixo,  essa é a minha e a tua, essa é a alma da gente, a alma que a gente tem.