(Este blog é totalmente dedicado a Laura e Lara, para quem todas as mensagens que aqui posto, me dirijo. Sem dizer adeus.)

segunda-feira, 26 de maio de 2014


Não me sinto em lado nenhum, em lado nenhum é o meu posto, o chão em que sente, e me assente de saber que é ali que quero estar! É ridículo pensar que nasce tão igual se sinta assim tão longe e diferente...mas é assim que me sinto. Sem parte nenhuma, sem coisa igual a nenhuma, tudo tão longe e distante! 
Guia aberto de uma longa travessia, num eterno sol ardente, de que não há memória, de que não há presente! Estando eu assim ausente no meio de toda essa gente, assim me chamo eu ainda de gente que não sei ser outra coisa, embora seja o que me desperta o sentido de ser! 
Não há prazer ou comunhão se não se sente onde se está, se as portas estando abertas parecem eternas fechadas sem ponto de saída ou fuga, e mesmo que fuja para onde iria senão em mim, que me encontro sempre pois não tenho para onde ir. Onde estar, sem mais demoras, cair e deixar cair, o que se é, o que sabe, o que não...!!
Nada a mim me toca, miragem ao longe que nunca se chega a tocar. Foge da minha vista e me deixa só! Só desde o inicio e ainda assim não me habituo ao não saber quem são os outros, o que fazem por aí, que deambulam e não me dizem nada! É a minha presença que me faz em mim pensar assim, não me sentindo em lado nenhum e em nenhum lado querer estar!
Estive ausente em toda a minha plenitude, imagem de mim fora de mim numa curva enrolada, sem ponta nem medida. Era o que era sem o ser e a mim chamava o que seria se ainda o fosse. 

domingo, 25 de maio de 2014

Formato real sobre todas as coisas invisíveis desta nossa natureza absurda do tempo em que se está. É a parte em que tu te apresentas, que te chama e repete o teu nome como se de tábua rasa fosse aquilo que és. Linhas abertas, em fuga, no horizonte perdido da linha do olho. Aquele caminho ardente, iluminado por mil tochas, num sentido certo de que tudo o  que apanho é meu.
Existe uma tremura em tudo o que se sente, em tudo o que se quer real, numa harmonia descontrolada, do caos organizado!  

quinta-feira, 22 de maio de 2014

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Paixão de uma outra noite era o que me parecia ser, o que entrava nos meus ouvidos, sussurrando vozes de outros tempos nas memorias esquecidas do passado. Essa estória era agora, era o que me encontra sem querer, tropeçando no dizer. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eu estava num certo lugar, a uma certa hora, num certo espaço, que agora não me lembro nem quero recordar! Mas estava. Estava, e estava como se não estivesse. O que via era tudo em volta num nevoeiro cerrado, frio e vento e gelo e eu não me lembrava. Não me lembrava ao que era, de que era e de onde vinha, o que tinha sido e porque teria acontecido. Ninguém me entendia! Riam, zombavam, ridícula figura era o que eu era...Sou, sem a constante mudança de quem era e continua a ser! 
E perguntas tu onde estás, que testemunho é esse que te incomoda a todas as horas de entrada ou saída, aquilo que não te faz dormir, o que te traz as noites ensoalheiraras e mornas sem pinga de paixão, ardor ou sabor de quê.
Pensando assim, na sorte e na morte, no que faz crescer e morrer, ao que tudo indica que é o prazer de se estar não se estando, que sem certezas nos encontra no cimo de tudo o que nos mendiga os sentidos  que nos acolhem e aconselharam, medíocres, hipócritas, egoístas do nosso ego e a tudo olha e a tudo faz seu. 
Queria a tudo render, a tudo saber! Se a estória original era a que tinha escrito, se a ela a tinha reescrito e feito dela escrava da minha já tão pouca memória. E era assim que diria se a ela, ela, me deixasse dizer o que tinha cá dentro desde o principio que me lembro que sou eu que escrevo e não outro, outro pesaroso ser que acha em mim nada, nada, vulgar e seco. Sou eu que escrevo em terreno, fértil e areado pronto para ser semeado, colhido e voltado a plantar. No lugar, onde estava aquela hora!!

quarta-feira, 7 de maio de 2014


Nasci depois da carne ser exposta à luz, depois do grito da vida em mim ter surgido, antes das palavras! 
Palavras que sempre escrevi sem papel ou tinteiro, antes de saber dar-lhes uso! Sei do dia em que me entendi como gente, que era gente, que olhei para mim com os olhos dos que de fora me viam mas que não me entendiam. Não entendiam. Sabia que estava, que não era  boneca nem trapo, estátua ou enfeite. Era gente quente que entendia, gente que sabia que era viva e gente!
Há quem diga que é brincadeira ser gente! Com adornos e coisas que entretêm deve ser divertido brincar a ser gente! Mas nem toda a gente nasce gente, é preciso ser-se gente para se saber o que é ser gente! Escrevo em mim desde esse dia, desde o dia em que de mim falavam, como se ali não estivesse, ou não tivesse entendimento para o saber, mera criançola que de nada sabe e de tudo se diverte!
O Tempo faz em si as vontades e não deixa ao Homem em si se rever as estórias que nos outros mais pequenos encarna, não sabe, não quer saber, não se quer lembrar que antes também já foi gente!...Eu, não me quero esquecer! 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A loucura é apenas uma expressão! O que existem são vários níveis de sanidade!

quinta-feira, 1 de maio de 2014

- Sou corajoso! Não tenho medo de nada!
- Ter coragem é enfrentar o medo e seguir em frente! Como sabes se és corajoso se não tens medo?

domingo, 20 de abril de 2014

O tempo está como a gente quer que ele esteja, é a gente que faz o tempo não é o tempo que faz a gente!

domingo, 6 de abril de 2014

"Duas flores"

Duas flores num copo feito jarra, estão no meu quarto, perto da janela! Uma virou-se para dentro, a luz lhe fugiu e morre cada dia um pouco mais. A outra virou-se para fora, a luz absorveu e está viva e reluz. Apanhei as duas flores no mesmo dia, no mesmo instante, no mesmo momentos, pela mesma mão, juntas uma à outras, cruzadas uma na outra! São diferentes! Iguais mas diferentes! Têm as mesmas cores, o mesmo tamanho e adereços, juntas nas mesmas medidas e proporções, longe de si nos pensamentos ou ideias. As duas pretendem a liberdade, uma a liberdade para dentro que a faz morrer cedo, a outra a liberdade para fora que a faz morrer mais tarde! Qual desses dois caminhos o mais certo! Nenhuma delas mo dirá! Terei de o descobrir sozinha!  
Não há nada mais perigoso que um homem de princípios!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Ouço passos vindos no meu caminho ou talvez seja o vento que ouço assim baixinho! Ouve, escuta o que tenho para te contar, pára e escuta o tenho para te dizer! Mas não pára, tudo em redor roda, tudo em volta anda, sem se querer quietar à minha voz, se sequer se querer perguntar ao que me vá, sem se importar aonde quer que está!  O vento sopra assim baixinho, muito mais longe e barulhento ao meu ouvido e nem te sei dizer a como tudo vai na minha ideia! De fora vê-se a luz da minha janela, e é de noite e a luz nela passa como passam as gentes por baixo dela, sem nela tropeçarem! São vãs as idas, as conversas aleatórias de histórias recicladas e ideias já mordidas por diversas vezes e agora mais uma vez cuspidas fora! Tudo lhes é certo para as gentes que passam, fingem-se heróis conquistadores de medalhas e glorias já cumpridas por outros, mas que a memória gasta já não faz lembrar! Querem a imortalidade do agora, do presente assente na visão plena do futuro ridículo da felicidade, porque neste momento não o são! Espera-se o momento seguinte e o outro e o outro...e o demais não vem, porque se assenta a pedra no futuro ainda não visto e se deixa o presente palpável e mesuradamente aguerrido de fora! 
Está silêncio outra vez, por hora chove e o pensamento me imunda de todas as palavras às quais não consigo fazer a sua tradução! Escreve-se sem papel ou tinta em todo o espaço da memória. Lembro-me do velho Freixo à chuva, que julgavam morto e que a seus pés fizeram nascer um outro novo. Lembro-me de mim e de minha mãe, à revelia arrancarmos do seu tronco os fungos que o comiam. Está vivo e eu espreito por ele. O outro se curva a seus pés! Ele é a memória de um velho que morreu sem nada seu a não ser a árvore que plantou num terreno seu que deixou de o ser, para uma mulher amada que nunca chegou a ser! A vida do que sempre amou! Chove por estas horas, o vento se levanta e não me deixa dormir! O Freixo ainda dorme!...

segunda-feira, 31 de março de 2014

Quando é de noite, e a noite nos envolve, nada há a fazer senão olhar para a luz que existe há nossa volta. Queria ver o nascer do sol, mas as estrelas brilharam primeiro.   

sábado, 29 de março de 2014

Não é porque são injustos para connosco que temos de ser injustos para com os outros! Se queremos ser diferentes não há o porquê da razão de sermos iguais aos que criticamos! Não há um só justo! É na aprendizagem que se encontra o caminho de volta à estrada!  

quinta-feira, 27 de março de 2014

Dentro da árvore oca está o eco da minha voz! Mas o que eu queria mesmo era falar com ela!

quarta-feira, 26 de março de 2014

"A flor que nasce no meu jardim"

Existe em mim o desejo de arrancar a flor que nasce no meu jardim. Mas quem disse a mim que é meu aquilo que nunca deixou de ser seu, enganou-me. Não pertence nada a este meu ser que não seja a própria voz de quem em mim me fala, tudo o mais que existe em si mesmo o vale sem que meus olhos o tornem em realidade e em minhas mãos lhes façam nascer vida. Não é a flor que quero arrancar, não é à flor que acho bela, é dentro dela que está toda a beleza que em mim pretendo a conquistar e arrancar há terra, para que na minha posse permaneça e me faça pertencer, crescer e viver a mesma alegria. Que todas aquelas cores se façam em mim sentir. É uma flor do campo, erva daninha de jarra, principio de toda a simplicidade da matéria da vida que se pretende a conhecer! 
Existe em mim uma força que me impele a ela conhecer, entrar em todo o seu ser como se em mim entrasse, percorrer todas as curvas do seu haver e ter mais do que a presença calva da estrutura física da natureza! É todo o seu âmago, toda a centelha de vida que aí está, toda a luz que em si retêm, que eu desejo de arrancar a flor que nasce no meu jardim.

terça-feira, 25 de março de 2014

Escuta! Todo o silêncio em ti! Escuta!
Ouves agora? Isso é o que tu és! A escolha que fazes!

segunda-feira, 24 de março de 2014

"Pobre"

Pobre é pobre ou coisa nenhuma certa, vive dos favores que os outros lhe fazem, por perdão ou mendiguisse. É de espantar, pois levanta-se sem igual, sem modos ou maneiras, de coisa que lhe pareça mal. Tem na teia a certeza, da tela também saber pintar, pois o mundo assim se lhe apresenta como o homem do pincel que comanda a natureza. Ora, era uma coisa destas assim que eu precisava para mim, um balde e uma moeda para fazer chinfrim, que me acordasse da moleza de já não saber o que é ser pobre! Foi assim no outro dia, acordei como de agora e deixei de entender ao que vinha por aqui a pretender fazer! Ser pobre é assim, sem ter principio, meio ou fim, é o sentir no momento tudo o que se passa pela vida fora! Ser pobre na ausência de tudo o mais que não importa, que tudo o mais é querer, e querer com certeza de querer de ter ou ser! 
Somos sacas de plástico deitadas fora ao vento, depois de tudo o que se queria ter sido retirado! Assim é!...