(Este blog é totalmente dedicado a Laura e Lara, para quem todas as mensagens que aqui posto, me dirijo. Sem dizer adeus.)

terça-feira, 25 de agosto de 2009


Obelisco Buçaco
"A luta"


Palace Hotel
"Pausa"

Cruz Alta
"A rocha"

"O positivo do negativo"
Palace hotel Buçaco


Cruz Alta Buçaco
"Aqui?"

Fotos que tirei para um concurso ao qual não cheguei a participar.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O dinheiro

Mais do que o sexo ou a religião e apenas ultrapassado pela ideia da morte, o tabu do século XXI é o dinheiro. Já tudo foi dito sobre sexo. Até o Papa Bento XVI, fá-la sobre preservativos da sua varanda pessoal. Para não falar dos muçulmanos que se suicidam gritando aos quatro ventos que o estão a fazer porque irão receber como recompensa sete virgens no paraíso. A virgindade, hoje em dia é rara, mas será que só se encontra na outra vida. Aparentemente, alguém acha que vale a pena morrer para o descobrir. A religião ao invés de um acto de fé, transformou-se num acto de comércio, moda ou político. Como já não é monopolizada, o bolo é repartido por todos. Resta-nos o dinheiro.
Ninguém, na realidade, diz quanto é que recebe no final do mês, principalmente se receberem muito e os seus colegas muito menos.
Usamos o dinheiro como forma de estatuto, mas nem sempre da mesma maneira. Damos a entender que temos mais do que é verdade, quando estamos na presença de outras pessoas que o têm, e menos quando não o têm.
Nesta época de crise e não só, todos querem ser iguais, pertencer ao mesmo clube, e a situação financeira é um dos principais aspectos a ser levado em consideração. É difícil aceitar no seio da sociedade, onde o nível de desemprego é elevado, alguém que se encontre numa posição mais favorável e que consiga alcançar, os seus objectivos, mais rápido.
Jogamos então o jogo da sociedade, a dinheiro.
O homem, já dizia Aristóteles, “ é por natureza um animal social”, que vive em sociedade, e precisa, para sobreviver, jogar o seu jogo. Quando se vive em sociedade, aceitamos as regras do jogo, se queremos conseguir satisfazer todas as nossas necessidades. Queremos liberdade, mas o nosso instinto, diz-nos, que sós, não conseguimos, que é necessário “agarrarmo-nos” a algo ou alguém.
A nossa necessidade de conhecimento e permanência em sociedade, leva-nos a castrar os nossos sentimento e por vezes até os nossos ideais, para que possamos continuar a usufruir de tudo o que a sociedade tem para nos oferecer, pois o homem desenvolve toda a sua vida em sociedade. Mas também é neste jogo de ofertas e cedências, que encontramos o nosso eu. Totalmente de graça. Não que eu não tivesse dinheiro, claro.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Héroi

Já alguma vez vos pediram dinheiro para comer? Claro que sim. Puxaram da carteira e deram algum dinheiro, sem olhar para trás. Porque todos nós conhecemos alguém nessa
situação, quer seja directa, ou indirectamente. Todos concordamos que a pior situação em que o ser humano se pode encontrar é a passar fome. Aniquila o corpo e a mente, transformando-o num farrapo. Já alguma vez vos pediram dinheiro para comprar um jogo para o filho brincar ou uma bola? Provavelmente trataram-nos mal. Como se atrevem a pedir dinheiro para brincar quando deviam pedir para comer. Também a mim, num momento não há muito longe da minha vida, me pediram dinheiro para comprar uma bola para o filho. Na altura também disse que não, mas é algo que me arrependo amargamente de ter feito. Porquê? Bem. Eu sei que a primeira necessidade a ser suprida deverá ser a física, mas então e onde fica o espírito, quem é que o alimenta? O alimento do corpo dura apenas uma hora, por vezes menos e no dia a seguir já nos esquecemos do que comemos e qual o seu sabor. Imaginem uma criança descalça com uns simples calções vestidos correndo com uma bola em direcção à baliza. Todos os adversários o perseguem, mas ele é mais rápido, finta o guarda-redes e marca o golo. O golo da vitória. Todos o aplaudem, o felicitam, erguem no ar. E nesse momento, nesse instante, por uns nanossegundos, ele é o Eusébio, o Pélé, o Maradona, imortal. E esse sonho em que foi herói por um instante ficar-lhe-á para sempre no coração e terá sempre o mesmo sabor.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Alguém há-de limpar

Hoje agarrei nos sacos do lixo e dirigi-me ao ecoponto. “Como me sinto bem, sou um elemento útil à sociedade”. Assim que chego, deparo-me com uma enorme quantidade de lixo espalhado no chão. Olho e penso para comigo, “não é da minha responsabilidade, porque hei-de fazê-lo?”, “é trabalho de alguém, por isso, porque é que eles não o fazem?”, “dá um ar um pouco obsessivo/excêntrico, se começar a apanhar o lixo”, “ugh, isso é lixo dos outros”.
O meu problema, estão a ver, é que honestamente, não me sinto como um tijolo da casa da sociedade. Não me sinto sequer como um tubo de uma chaminé ou uma telha. Sou apenas um tijolo enfileirado sem um vestígio de argamassa, e a contribuição de que mais me orgulho para com a sociedade é o facto de não retirar nada dela. Acredito em deixar as coisas como as encontrámos, em depositar o lixo nos recipientes fornecidos, ou levá-lo comigo até descobrir um, e não suporto ver pessoas deitar lixo para o chão. É algo que verdadeiramente me choca. Pessoas de todas as idades não sentem, a menor dificuldade em meter a mão num saco, descobrir algo, estende-lo ao comprimento do braço e de seguida, despreocupadamente, deixar cair.
De vez em quando, resolvo confrontar um larga lixo. Há uns tempos ia com um amigo de carro, eu ia a conduzir e ele ia a comer qualquer coisa e a beber um sumo. Quando acabou, abriu o vidro e ao passamos por um contentor do lixo, atirou o pacote de sumo. Claro que não acertou no contentor, para mais estava fechado. Perguntei-lhe, ”porque é que não me pediste para parar?”, ao que ele me responde”, “ não te preocupes alguém há-de limpar”. Mas, bem, eu disse de vez em quando. O meu bom senso leva-me a pesar os pós e os contras. Se a pessoa é maior do que eu, ou (muito importante) está acompanhada por alguém maior do que eu, sigo em frente. Conheço os meus limites. Se tem mais de metro e meio ou mais de quatro anos, deixo cair.
Por outras palavras aspiro a ser um membro de impacto zero na sociedade. Mas será que isso me qualifica como o oposto de uma pessoa anti-social? Honestamente, não me parece, pois isso seria pro-social, o que envolveria agir em favor da sociedade, coisa que não faço.
A questão é saber se continuamos a poder aspirar a ter uma sociedade da qual se possa dizer que é ofendida pelo comportamento «anti-social».
Existe uma espécie de paradoxo, quanto menos nos envolvemos na sociedade, mais nos sentiremos ultrajados em nome da sociedade.