(Este blog é totalmente dedicado a Laura e Lara, para quem todas as mensagens que aqui posto, me dirijo. Sem dizer adeus.)
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
"Aprender a andar de bicicleta!"
Um dia, quis aprender a andar de bicicleta, todas a minha amigas já sabiam e até tinham bicicletas novas e faziam acrobacias de rua com elas. Outros tempos, quando não existiam jogos em casa, dentro de casa, nos quartos à porta fechada. Nesse tempo, no tempo em que eu quis aprender a andar de bicicleta, os miúdos andavam na rua e queriam-nos na rua que dentro de casa só atrapalhavam.
Então um dia, um dia quis aprender a andar de bicicleta. Não tinha uma bicicleta nova, a que eu tinha era do meu avô, era enorme, já grande para o meu avô, maior para mim nos meus nove ou dez anos. Não chegava sequer ao selim para me sentar mas queria aprender e por causa dessa minha vontade fui ter com a minha mãe para me ensinar...Ela não podia, estava muito ocupada e além disso também ela tinha aprendido a andar sozinha, por isso eu que fizesse o mesmo. Pedi-lhe por favor anda lá, é só um bocadinho de tempo. Não posso vai lá tu sozinha! E eu fui, sem resmungar, sem falar mais nada, sem pedir mais nada, sem mais nada, fui. Fui para um caminho de areia eu e a bicicleta do meu avô, sozinha. A areia escorrega, sei isso agora mas antes não sabia: Não caí nenhuma vez, desequilibrei-me, sim, muitas mas não caí. E aprendi a andar de bicicleta, na bicicleta do meu avô. Estava contente, muito contente, aprendi sozinha como a minha mãe e fui-lhe dizer, contar a novidade. Mas ela ainda estava demasiado ocupada para me vir ver e apenas me disse que sabia que eu era capaz. Eu fui capaz mãe! E fui-me embora, sozinha, com a bicicleta do meu avô, procurar os melhores caminhos para a minha, também agora, bicicleta.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Não existe nada, só cansaço e não o cansaço da palavra, o cansaço é outro, é o peso de ombro a ombro, o corpo descaído, acoplado ao que se encosta, sem querer de se mexer, porque é nisso que reside o cansaço no não querer. E para quê querer? - Diz o cansado. Estendido numa cadeira, sem posição de estar, e ainda assim ficar, a mão descaída em cima do nada, as pernas esticadas ao encontro do chão na procura do andar, a cabeça inclinada para trás, mirando um tecto opaco, sem visibilidade. E é nesse cansaço que me encontro, no não querer nada, não quero fazer nada, começar ou terminar nada. Ser nada é isso que quero, ser uma página em branco onde se escreve sem o vicio do antecessor, sentir só e apenas o que é e que existe no que se sente e não ser nada. Se não for nada posso ser tudo, se não for nada posso ir onde quiser, estar onde quiser, caminhar em todos os terrenos e espaços que circundam o meu quarto, a minha rua, o largo da minha aldeia. Nesse mundo que é dos outros mas também é meu. Olhar as estrelas como se fosse sempre a primeira vez, sem saber que são estrelas mas as amar como estrelas. Viver nos olhos dos bichos as vidas que vivem sem falar e conversar tanto como eles. Sentir a chuva que nasce da terra e cresce dos céus, quente ou fria como se quisesse ser ela, sendo ela, sentido-a a ela. A ela, toda ela que no sentir existe mais do que palavras ou vozes mas caminhos a percorrer sem nunca se atingir o horizonte, o limite ao que os olhos vêm. Limites? Será que existem mesmo limites por não vermos o que está para além do que vemos!. Quero então ser cega e não ver, quero ser surda e muda, passar adiante do que existe mas não ser nada e apenas sentir. Viver no sentir!
sábado, 22 de setembro de 2012
"Vi-a hoje"
Vi-a hoje, parecia calma e serena. Mas depois, depois a outra entrou e passou à frente de tudo e de todos como se a casa fosse dela e nós todos que ali estávamos dentro, não existíssemos. Olhei para ela, para a outra, estava com pressa e a pressa dela estava no rosto, na maquilhagem, na roupa, nos cabelos. Disse que se tinha esquecido de lá ir no dia anterior, e eu tive de saber que já ontem ela estava para vir, e não me interessava saber, hoje é hoje e ontem foi ontem, hoje as nuvens cruzaram-se ao norte e ontem não importa. E ela, ela que estava calma não disse uma palavra, mas o rosto se escureceu e pareceu-me que até a cor do cabelo naquele momento se tingiu de uma cor mais escura à medida que o meu olhar se lhe escorria pelo pescoço a baixo, as sobrancelhas arquearam, a boca minguou, o brilho do rosto se quebrou. E ela, ela que estava serena respondeu em voz ponderada e calma com o coração ao saltos e na garganta um grito, se era o que tinha nas mãos o que procurava, e então passe bem, tenha um bom resto de dia, obrigada. Olhou tão pouco tempo no rosto da outra, mas a outra também não se importou, levou o que ela tinha nas mãos e não lhe disse mais nada, nem um adeus, obrigada. E eu e os outros não a vimos sair e ficámos a olhar para ela que vi hoje. Para ela, que parecia calma e serena.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
"Pequenos fetos, muitos afectos."
Era uma vez...
Uma menina pequenina, que não cresceu e se ficou assim pequenina, sempre quieta, em silêncio, num silêncio ensurdecedor, de vozes de ventos que cortam, ventos que apenas sopram, sol que queima e sol que deita, águas que afogam mas também onde nelas se deita e se deixa abraçar e levar pela corrente, essas correntes mansas onde só vemos o azul do céu e não a fundura dos abismos escondidas nas águas. Essa menina pequenina viu tantas coisas por onde passou, por tudo aquilo com que se cruzou e imaginou. Tantas coisas que contadas não valeriam de nada porque são seriam nem metade do que deveras é. Momentos e vidas que com ela cruzaram e a feriram não de morte mas de marca própria, como tatuagem que se gosta, escondida num sitio qualquer ou à vista para toda a gente ver. Pequenos fetos, muitos afectos e é nisso que se fica quando não se cresce. Nos afectos.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
"Sonho"
Quero dormir, vou dormir, não consigo dormir, preciso dormir, quando dormir, se conseguir dormir, estarei a dormir, no dormir, vou dormir, porque quero dormir. E no dormir? O que farei no dormir? Não sei porque estarei a dormir e a dormir não me lembro quando acordar ou talvez me lembre mas não queira contar. Serão coisas loucas, doidas de certeza do dormir, quando se dorme, normalmente assim são quando se dorme mas como não estou a dormir não sei como são, terei de dormir para saber como são e depois contar se depois do dormir me lembrar. Dormir, dormir, dormir, passas a vida a querer dormir de olhos fechados quando sempre sonhas com eles abertos e esses sonhos não te deixam dormir, porque não queres dormir e mentes a ti mesma que o queres. Não podes dormir se sonhas, a dormir não sonhas, não podes dormir.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
"Diz-me coisas"
Diz-me coisas, que tenho muitas coisas a dizer e não sei que coisas queres ouvir. Diz-me coisas doces, pequenas ou grandes, sem sentido ou o tendo. Diz-me coisas amargas, comprimidas ou à larga. Ou então não digas nada e sussurra aos meus ouvidos essas coisas que passaram e passam sem que por vezes lhes demos graça mas que existem e persistem nas memórias de quem as sente e pressente como sendo delas e nossas. Diz-me coisas.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
sábado, 1 de setembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
"Saudade"
Quanto tempo deverá existir de passagem para que se sinta saudade! Serão precisos dez anos, quinze, vinte ou mais anos, desde o tempo que se foi, sendo esse o peso necessário para que a regra se sinta satisfeita e diga, agora basta! Três anos, um dia! Uma brisa que passa, um olhar que se some, esse é o tempo para mim. Uma passagem de tempo cruza o meu tempo em velocidade acelerada sem esperar que entre no seu espaço e não aguarda por mim, por muito que lhe diga - espera, aguarda mais um pouco. Ela não espera.
Momentos, vivemos de momentos, nos que conseguimos agarrar na electrização do momento. Momentos do que foram e que são, que se tornam no agora, nos cheiros e sentidos de ser de estarem presentes.
Quanto tempo será preciso quando o tempo não existe ou deixa de existir, quando o que passa a existir é somente o momento e o momento vive na eternidade de quem o sente! Nenhum! A saudade é permanente!
Quanto tempo será preciso quando o tempo não existe ou deixa de existir, quando o que passa a existir é somente o momento e o momento vive na eternidade de quem o sente! Nenhum! A saudade é permanente!
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
"Um pedaço do teu sonhar"
Deitei-me ao teu lado nesse pedaço de lençol que escolheste para dormir e sinto sem te tocar o calor da tua pele. O teu respirar, o ar já consumido pelo teu corpo sai agora ao encontro do meu. Não fechei os olhos, tenho-os abertos e olho não no sentido do teu olhar mas no contraditório dos teus, para ver o que está a sentir e não para onde estás a olhar. E fico assim por um tempo, imaginando. Abres os olhos e vês-me como se tivesse agora chegado quando já aqui estou há muito tempo. Não te conto. E sorris. E fazes-me sorrir num sorriso tonto, de orelha a orelha, de risinhos baixos, meios envergonhados por ter sido surpreendida quando te roubava um pedaço do teu dormir, um pedaço do teu sonhar.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
A todos os amigos.
Aos amigos que são,
Aos amigos que acham que não são,
Aos amigos que vieram desde cedo,
Aos amigos que ainda agora chegaram,
Aos amigos que fiz irmãos,
Aos irmãos que fiz amigos,
Aos amigos companheiros,
Aos amigos que não me deixaram desistir e que de mim não desistiram,
Aos amigos que conhecemos,
Aos amigos que nunca vimos, ouvimos a voz, tocamos a carne e sempre aí estiveram,
desde sempre, para todo o sempre.
Aos amigos a que vimos a sua luz,
Aos amigos a que vimos a sua luz,
Aos amigos de todas as idades, em que todas somos uma só,
Aos amigos perdidos,
Aos amigos encontrados,
Aos amigos não digo adeus,
A todos os amigos um pedaço de mar.
O meu pedaço de mar,
Azul, vermelho e dourado,
No constante contraste de mim.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Hoje pintei o quarto do meu sobrinho de vermelho e azul.
O pai achou estranho e disse que as cores não combinavam.
Claro que combinam, os templos gregos já foram pintados de vermelho, azul e dourado.
Mas não tens o dourado.
Claro que tenho, será este menino de ouro que hoje dormirá sobre o vermelho e azul deste quarto.
O pai achou estranho e disse que as cores não combinavam.
Claro que combinam, os templos gregos já foram pintados de vermelho, azul e dourado.
Mas não tens o dourado.
Claro que tenho, será este menino de ouro que hoje dormirá sobre o vermelho e azul deste quarto.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
SEI LÁ?
Sabes disso não sabes?
Do quê se ainda não disseste nada?
Vá, vá lá sabes bem!!
Sei o quê?
O que te estou a dizer!!
Mas o que é que disseste?
Ah então sempre ouviste, só não compreendeste!!
Não, eu não ouvi.
Mas ainda agora me perguntas-te pelo que te disse!!
Disse...sei lá o que disse, disse que não disseste nada.
Não, não, tu disseste para te repetir o que disse, por isso ouviste o que disse mas não compreendeste o que disse, compreendeste?
Ah.!!!
Ah o quê? Do que queres falar?
Eu não quero falar de nada tu é que disseste se eu sabia de qualquer coisa.
Então e sabes?
Do quê?
Do que te estava a perguntar?
Mas eu não sei o que estás a perguntar.
Então porque é que eu te perguntei?
SEI LÁ?
Do quê se ainda não disseste nada?
Vá, vá lá sabes bem!!
Sei o quê?
O que te estou a dizer!!
Mas o que é que disseste?
Ah então sempre ouviste, só não compreendeste!!
Não, eu não ouvi.
Mas ainda agora me perguntas-te pelo que te disse!!
Disse...sei lá o que disse, disse que não disseste nada.
Não, não, tu disseste para te repetir o que disse, por isso ouviste o que disse mas não compreendeste o que disse, compreendeste?
Ah.!!!
Ah o quê? Do que queres falar?
Eu não quero falar de nada tu é que disseste se eu sabia de qualquer coisa.
Então e sabes?
Do quê?
Do que te estava a perguntar?
Mas eu não sei o que estás a perguntar.
Então porque é que eu te perguntei?
SEI LÁ?
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
"Uma folha"
O vento levantou uma folha, verde ainda por pouco tempo, que se desprendeu de uma flor e diz que agora é dele que a sopra para onde ele quiser. Mas o que ele não conta é com as pedras grandes de musgo velho que no seu caminho se encontram, com as árvores de ramos esticados que se abraçam, com os passos das crianças que na praça correm, com as portas mal fechadas, janelas abertas, fontes cujas aguas fogem para o mar, flores sós de um jardim tratado, com todo o viver que vive em redor do vento. Uma ida e uma volta, outra volta e outra revolta, no cruzar dos espaços, nos tempos e passos, no continuo soprar que o vento provoca. Para onde irá? Quem saberá? Nem o vento o sabe.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Diz-me meu pequenino o que queres ser, quando fores grande e crescer, conta-me o que te vai na alma, na calma que aparentas ter quando me olhas de olhos grandes meu pequenino. Não sabes o que dizer, preferes calar, brincar a crescer. Que importam os quereres de pedir se ninguém te der o grande e o crescer. Dorme meu pequenino dorme, fecha os olhos e sonha com sonhos de pequenino, que em meus braços te vou guardar e segurar do crescer e serás sempre pequenino. O meu pequenino.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
"Histórias de quem sou"
Histórias de quem sou foi o primeiro titulo deste blog. Fui eu que o escolhi e sei perfeitamente porquê, como me sentia na altura, o que queria dizer, a forma como queria construir o blog reflectia-se no titulo.
Já não me lembrava deste titulo e isso torna-se estranho em mim. Não foi outra pessoa que o escreveu, fui eu, embora esse eu agora me pareça um pouco longe, mesmo não tendo passado tanto tempo assim.
Estranho como alguém se pode, como alguém se consegue esquecer a si mesmo. Não me lembrava e apenas me lembrei porque li o titulo no texto de outro. Esse alguém lembrou-se de mim e eu não me lembrei e isso faz-me pensar em quantos outros títulos de outras páginas me esqueci, quantas coisas me esqueci ao transformar, ao cruzar de passeio, ao passar a curva da estrada. Seriam coisas importantes? Terei deixado alguma coisa por dizer ou fazer? Já não sei, não me lembro. Nem poderei pedir para que me lembrem porque não sei o que era. Quão estranho é. Esquecer-me de mim.
Novos títulos, novas ideias, novas viagens trazem o esquecimento também.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Abraço meu irmão a ti, a essa áurea que se aproxima de mim despida. Estás sujo dizes tu, também eu digo eu, somos iguais, a minha cor é diferente dizes, pois eu não tenho cor meu irmão por isso dá-me um pedaço da tua quando nos tocarmos, sou velho, também eu, muito mais do que julgas, sou velha desde criança, sou um estranho, pois eu sou mais, talvez me digas quem sou, perdi-me à muito tempo e apenas encontrei um pedacinho de mim, talvez queiras procurar comigo o resto que ficou, não sou um homem de letras dizes, não te posso ler historias nem te ensinar nada que esteja no livros, eu também não, não importa aprendemos os dois nos caminhos das estrelas que cobrem os céus. Recebe-me meu irmão assim como te recebo porque fui eu que vim ter contigo para te abraçar mas sou eu que preciso que me abraces.
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